PASTORAL DA CRIANÇA - CNBB

 
Logotipo da Pastoral da Crianca
Indicada oficial do Governo Brasileiro ao
Prêmio Nobel da Paz de 2001






Ano Internacional do Voluntariado

    Graças ao trabalho solidário de mais de 145 mil voluntários, a Pastoral da Criança conseguiu reduzir a mortalidade infantil a menos da metade da média nacional entre as crianças por ela acompanhas em todo o Brasil. Segundo o Unicef, a taxa de mortalidade infantil no Brasil em 1999 foi de 34,6 mortes para cada mil crianças nascidas vivas. Entre as centenas de milhares de crianças da Pastoral esta taxa é inferior a 17 mortes para cada mil nascidas vivos. Se for tomado o número de mortes para cada grupo de mil crianças menores de um ano acompanhadas pela entidade, esta taxa fica abaixo de 12 óbitos. Isto tudo significa que, por ano, cerca de 5 mil crianças deixam de morrer no Brasil, graças ao trabalho da Pastoral da Criança.

    A desnutrição entre as crianças da Pastoral também foi reduzida a menos da metade. Entre as mais de 1,5 milhão de crianças acompanhadas, apenas 7% encontram-se desnutridas, enquanto a média nacional de desnutrição é de 16%. É preciso levar em conta ainda que a Pastoral da Criança atua exclusivamente em bolsões de pobreza e miséria, onde tanto a mortalidade quanto a desnutrição infantil estão acima da média nacional.

Inovação

A experiência da Pastoral da Criança parte da idéia de que a solução dos problemas sociais necessita da solidariedade humana, organizada e animada em rede, com objetivos definidos, e que o principal agente de transformação são as lideranças das comunidades pobres e miseráveis, especialmente a mulher, que transforma a sua família e a comunidade. Por isso, mais de 90% dos agentes na Pastoral da Criança são mulheres.

A experiência demonstra que a solução dos problemas sociais depende da transformação do tecido social e de políticas públicas voltadas para os mais necessitados. É uma tarefa que deve ser compartilhada entre governo, empresários e sociedade civil. Por isso, as parcerias entre eles são de fundamental importância na busca da realização de um trabalho eficaz que realmente chegue às famílias e comunidades, envolvendo-as no protagonismo de sua própria transformação social.

Fazendo a união entre a fé e o compromisso social, a Pastoral da Criança organiza as comunidades em torno de um trabalho de promoção humana no combate à mortalidade infantil, à desnutrição e à marginalidade social. Além disso, ajuda eficazmente na educação para uma cultura de paz e na melhoria da qualidade de vida de mais de um milhão de famílias acompanhadas. O trabalho essencial é a organização da comunidade e a capacitação dos líderes voluntários que ali vivem e assumem a tarefa de orientar e acompanhar as famílias vizinhas, para que elas se tornem sujeitos de sua própria transformação pessoal e social.

Custos

O custo total da Pastoral da Criança é inferior ao de um hospital de porte médio, equivalendo a 0,5 dólar por criança/mês - considerando todos os custos, que envolvem a administração, produção e distribuição de materiais educativos, treinamentos e acompanhamento das atividades práticas desenvolvidas nas comunidades. Os recursos recebidos pela Pastoral no ano 2000 somaram 8,5 milhões de dólares, que vieram do governo e de iniciativas empresariais.

Economia

Esta tarefa é uma ação de solidariedade que leva à cidadania, pois a pessoa assume sua própria transformação pessoal e de sua comunidade. Além disso, significa uma economia muito grande de recursos e de sofrimento humano: a prevenção das doenças e a promoção do desenvolvimento infantil têm repercussões favoráveis em toda a família. Trata-se também de uma forma inteligente de regulação da demanda ao serviço de saúde, somada à prevenção da violência e da marginalidade que trazem um ônus muito grande ao país. Ainda sobre os recursos, convém recordar que se a Pastoral da Criança fosse pagar a esses mais de 145 mil voluntários, necessitaria de pelo menos 70 milhões de dólares por ano.

Ecumenismo

Apesar de ser uma organização da Igreja Católica, a Pastoral da Criança é um organismo autônomo e faz, desde sua primeira experiência, um trabalho ecumênico, acompanhando as crianças e suas famílias, independente de raça, cor, religião ou opção política. Entre os líderes e as equipes de capacitação da Pastoral da Criança, muitos são de diversas religiões ou não professam nenhuma fé.

Início

A Pastoral da Criança é apontada como uma das mais importantes organizações em todo o mundo a trabalhar nas áreas da saúde, nutrição e educação da criança, desde o ventre materno até os seis anos de vida, e de prevenção da violência no ambiente familiar, envolvendo necessariamente as famílias e comunidades.

Essa história começou em 1982, numa reunião da ONU em Genebra, quando o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, então Arcebispo de São Paulo, se encontrou com Mr. James Grant, Diretor Executivo do UNICEF na época. Este o convenceu de que a igreja poderia ajudar a salvar milhares de vidas de crianças que morriam de doenças facilmente preveníveis como, por exemplo, a desidratação causada pela diarréia. O soro oral era considerado um dos maiores avanços da medicina na época. Voltando ao Brasil, Dom Paulo contatou sua irmã, a médica pediatra e sanitarista Dra. Zilda Arns Neumann, pedindo-lhe que pensasse de que maneira se poderia concretizar essa idéia.

No ano seguinte, a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - confiava a tarefa de criação e desenvolvimento da Pastoral da Criança à Dra. Zilda Arns Neumann e a Dom Geraldo Majella Agnelo, então arcebispo de Londrina, Paraná, depois Secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos da Santa Sé, no Vaticano, e agora Arcebispo Primaz de Salvador, Bahia.

Em setembro de 1983, a Pastoral da Criança iniciava suas atividades no município de Florestópolis, no estado do Paraná, sul do Brasil, desenvolvendo uma metodologia própria que une a fé com a vida, tendo como centro a criança em seu contexto familiar e comunitário. É uma metodologia que multiplica conhecimentos e amplia os laços de solidariedade, fortalecendo a rede de voluntários que promove o autodesenvolvimento dos pobres, visando sua própria libertação.

Esta metodologia conta com três grandes momentos de intercâmbio de informações que ajudam no fortalecimento da solidariedade. O primeiro são as visitas domiciliares mensais, realizadas pelos líderes comunitários a cada família; o segundo é a realização do dia do peso, que se transforma num momento de festa da celebração da vida; o terceiro, são as reuniões de educação comunitária participativa, chamadas de pequenas rodas de conversa.

Ações Básicas

A base de todo o trabalho da Pastoral da Criança são a comunidade e a família. A dinâmica consiste em capacitar líderes comunitários, que residem na própria comunidade, para mobilização das famílias nos cuidados com os filhos. Em todas as comunidades atendidas, coloca-se em prática um conjunto de ações que vão daquelas voltadas para a sobrevivência e desenvolvimento integral da criança até a melhoria da qualidade de vida das famílias carentes, tanto no plano físico e material como no espiritual. Desta maneira, procura gerar igualdade de oportunidades, justiça e paz. Entre essas ações destacam-se:
 
 

  • Apoio integral às gestantes:

  • Orientação e supervisão nutricional das futuras mães, valorizando a vida a partir da gestação, preparando essas gestantes para o aleitamento materno e encaminhando-as para as consultas de pré-natal;
     
  • Incentivo ao aleitamento materno:

  • Ações que garantam à criança condições físicas, psíquicas e emocionais para se desenvolverem em plenitude, e à mãe, um maior espaçamento entre os partos;
     
  • Vigilância nutricional:

  • Pesagem mensal de cada criança acompanhada e orientação aos pais ou responsáveis para os cuidados e o acompanhamento do peso e do crescimento da criança;
     
  • Alimentação enriquecida:

  • Ações concretas para o aproveitamento de produtos de grande valor nutricional e de baixo custo, disponíveis nas próprias comunidades, além de evitar os desperdícios de grande parte dos alimentos, como folhas, cascas e sementes;
     
  • Controle de doenças diarréicas:

  • Disseminação de formas de prevenção das diarréias e práticas de reidratação oral, principalmente através do soro caseiro, com o uso de colher-medida, distribuída gratuitamente;
     
  • Controle de doenças respiratórias:

  • Prevenção das doenças, valorização dos remédios naturais e caseiros e identificação dos casos de risco para encaminhamento ao serviço de saúde;

    Remédios caseiros:
    Educação das mães e demais familiares para as práticas de medicina natural e caseira, principalmente técnicas fitoterápicas, envolvendo a organização de farmácias comunitárias;
     

  • Estimulação para a vacinação de rotina das crianças e das gestantes:

  • Incentivo às mães para a participação nas campanhas a fim de prevenir as doenças infecto-contagiosas, preveníveis por vacina, e organização comunitária para facilitar o acesso aos postos de vacinação de rotina;
     
  • Educação essencial:

  • Orientação aos pais e toda família e comunidade para o seu papel fundamental no desenvolvimento global da criança, a partir da gestação até aos seis anos de idade. Brinquedotecas comunitárias são implementadas como espaço para brincar e promover valores culturais como atenção, liberdade e carinho necessários ao desenvolvimento infantil, enfocando principalmente o andar, o falar e o brincar;
  • Prevenção de acidentes domésticos:

  • Estímulo às ações no interior das famílias e das comunidades que levem à identificação dos sinais de perigo para a criança, ajudando a prevenir os acidentes na infância;
     
  • Prevenção da violência contra a criança no ambiente familiar:

  • Ações concretas que visem a solução da agressividade de forma não-violenta e a desenvolver um ambiente de acolhida e proteção às crianças, criando na família uma cultura de paz, através da continuidade das ações da campanha A Paz Começa em Casa;
     
  • Prevenção de doenças sexualmente transmissíveis:

  • Prevenção das DST – doenças sexualmente transmissíveis -, especialmente a aids, junto às famílias acompanhadas pela Pastoral e em parceria com outras entidades da sociedade civil, e a disseminação de ações de solidariedade para com as pessoas e grupos de portadores dessas doenças;
     
  • Catequese do ventre materno aos seis anos de idade:

  • Práticas que ajudem a vivenciar e desenvolver a espiritualidade como forma de valorização da vida e resgate da dignidade humana no seio da família e da comunidade;
     
  • Odontologia para bebês:

  • Orientação das mães sobre noções e práticas de prevenção da cárie em bebês e desenvolvimento de ações de higiene bucal.

    Projetos Complementares
    Como forma de dar suporte às famílias e comunidades, a Pastoral da Criança desenvolve também vários projetos importantes, considerados complementares às suas ações básicas e de reforço ao trabalho comunitário, visando à melhoria da qualidade de vida das famílias acompanhadas.
     

  • Programa de Geração de renda:

  • São 1.488 projetos comunitários de geração de renda, que visam dar condições de sobrevivência e apoio à melhoria das condições de vida e saúde das famílias carentes acompanhadas pela Pastoral da Criança. Os recursos são repassados pela Pastoral após um trabalho de capacitação para a atividade escolhida por essas famílias. São projetos dos mais variados, tais como confecções, padarias, hortas, criação de animais, prestação de serviços, etc.
     
  • Alfabetização de jovens e adultos:

  • Quanto maior o grau de escolaridade das mães, menores são os índices de mortalidade infantil. Por isso, a Pastoral da Criança desenvolve o programa de alfabetização de jovens e adultos destinado a líderes comunitários, familiares e membros das comunidades atendidas. Os cursos de alfabetização contam com uma metodologia inspirada no uso de palavras-geradoras que estão inseridas no contexto das ações básicas de saúde, educação e nutrição. Em média, a cada ano, pelo menos 30 mil jovens e adultos são alfabetizados pela Pastoral da Criança.
     
  • Participação no controle social / REBIDIA:

  • Lideranças comunitárias são capacitadas para a participação nas instâncias municipais de controle social dos serviços públicos, tais como os conselhos municipais de saúde, educação, assistência social e direitos da criança e do adolescente. Para a manutenção dessa capacitação e a informação permanente dirigida a esses formuladores de políticas públicas nos estados e municípios, a Pastoral da Criança desenvolveu, em parceria com outras entidades, a REBIDIA – Rede Brasileira de Informação e Documentação sobre a Infância e Adolescência.
     
  • Saúde mental comunitária:

  • É um trabalho de prevenção da violência e de combate ao estresse, destinado às famílias acompanhadas pela Pastoral da Criança. Fazem parte desta ação as terapias comunitárias e massagens feitas por pessoas capacitadas para esta finalidade.
     
  • Rodas de conversa:

  • Organização de Rodas de Conversa envolvendo todas as lideranças da comunidade para a discussão e busca de soluções para problemas comuns. Neste ano de 2000, as Rodas de Conversa discutiram o tema gravidez na adolescência, com o objetivo de encontrar formas de prevenção da gravidez precoce.
     
  • Projeto Criança Viva:

  • Programa apoiado com recursos do Criança Esperança/Rede Globo-Unicef que visa ao desenvolvimento de ações comunitárias integradas que ajudem na redução da mortalidade infantil e da desnutrição e no desenvolvimento sustentável das comunidades organizadas, nos municípios mais pobres do país. Este programa também apoia as ações de geração de renda e alfabetização de jovens e adultos.

    . Programa de segurança alimentar:
    Ampliação das ações de alimentação e nutrição, através da articulação com todas as lideranças e forças sociais locais, para a implementação de um programa de segurança alimentar que garanta alimentação a todos os cidadãos.
     

  • Planejamento familiar natural (Método do Colar):

  • Ação de informação aos casais e jovens sobre os métodos de planejamento familiar, com ênfase nos métodos naturais. Para uma adequação desses métodos naturais ao seu público-alvo, a Pastoral da Criança desenvolveu o Método do Colar, que facilita a compreensão sobre o período de fertilidade da mulher e orienta para a prevenção da gravidez não desejada.
     
  • Comunicação social:

  • A produção de materiais educativos impressos e audiovisuais tem sido uma preocupação constante da Pastoral da Criança. Destacam-se a produção de duas dezenas de vídeos educativos, de um jornal bimestral de 16 páginas, tamanho tablóide, com 230 mil exemplares, e um de programa semanal de rádio intitulado "Viva a Vida", transmitido gratuitamente por mais de 1.200 emissoras em todo o Brasil. São materiais e programas que visam à difusão de informações e a capacitação continuada de lideranças, comunidades e famílias em todas as ações da Pastoral da Criança, além de tratar de temas da atualidade de interesse do público.
     
  • Rede de Comunicadores Solidários à Criança:

  • Para ajudar no trabalho de comunicação e mobilização social, a Pastoral da Criança desenvolveu uma rede de comunicadores voluntários, que conta hoje com mais de 500 pessoas, entre jornalistas, radialistas, relações públicas e artistas populares. Sua ação voluntária destina-se principalmente a aprimorar três áreas de ação no campo da comunicação: maior presença nos diferentes veículos de comunicação; implementação de programas de rádio nas emissoras locais, tratando de temas relacionados à saúde, nutrição, educação, cidadania e ao desenvolvimento da criança; e uso de técnicas de comunicação pessoal e grupal nas comunidades, incluindo os vídeos, materiais educativos, teatro, dinâmicas de reuniões, entre outros.

    Onde atua

    A Pastoral da Criança está presente, especialmente, nas periferias das grandes cidades e nos bolsões de pobreza e miséria dos pequenos e médios municípios brasileiros, tanto no meio urbano e rural quanto em áreas indígenas.

    De acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), vinculado ao governo federal, 57 milhões de brasileiros vivem em condições de pobreza. Isto significa que 36% da população brasileira vive com menos de meio salário mínimo (42 dólares) por mês. Destes, 17 milhões (10% da população) são miseráveis. Entre eles, estão as mulheres e as crianças, primeiras vítimas da desagregação familiar, na maioria das vezes causada pelo desemprego, por falta de moradia e de segurança alimentar.

    É por isso que as ações da Pastoral da Criança estão voltadas principalmente para as comunidades e famílias carentes, onde se registra o maior problema de mortalidade infantil, que a cada ano faz mais de 134 mil vítimas menores de 5 anos de idade (UNICEF-SMI/2001, referente ao ano de 1999).

    Organização

    A estrutura da Pastoral da Criança - Coordenação Nacional e Coordenações Estaduais, Diocesanas, Paroquiais e Comunitárias - é a mais simples e ágil possível. Aproximadamente 75% dos recursos são gerenciados diretamente pelas equipes regionais, nas dioceses, que repassam às equipes paroquiais e comunidades, para possibilitar o trabalho voltado à população necessitada. As coordenações diocesanas prestam contas à Coordenação Nacional que, concentrando a burocracia e descentralizando as atividades e os recursos, informatizou toda sua atividade, permitindo às fontes financiadoras o acesso imediato às informações sobre o alcance dos objetivos e a aplicação e uso dos recursos. Esta agilidade da Pastoral da Criança garante o sucesso de suas ações, permitindo o acompanhamento dessas milhares de crianças e gestantes em todo o país a um baixo custo.

    Sistema de informações

    A Pastoral da Criança desenvolveu um eficiente e ágil Sistema de Informações, com capacidade de emitir relatórios permanentes sobre a situação de saúde das crianças e gestantes de cada comunidade. Os líderes comunitários de cada comunidade preenchem um relatório mensal, chamado de FABS – Folha de Acompanhamento e Avaliação Mensal das Ações Básicas de Saúde e Educação na Comunidade –, que é enviado à coordenação nacional, em Curitiba. Esta FABS contém todas as informações sobre a situação das crianças e gestantes acompanhas em cada comunidade. A coordenação nacional faz a digitação dessas informações, sistematiza, analisa e devolve às comunidades, a cada trimestre, um relatório com mensagens dirigidas, seja parabenizando pela conquista alcançada ou dando orientações sobre como proceder para melhorar os índices daquelas ações que ainda precisam melhorar. Com este Sistema de Informações, cada nível de coordenação, do nacional até o comunitário, conta com uma avaliação permanente dos resultados alcançados por suas ações e pode planejar melhor as ações a serem realizadas a curto, médio e longo prazos.

    Resultados

    A mortalidade de menores de um ano nas comunidades em que há Pastoral da Criança é 60% menor do que naquelas onde a Pastoral não está presente. Dados como este mostram que, de maneira sistemática e organizada, desenvolvendo a solidariedade humana, as comunidades são capazes de tornar-se agentes de sua própria transformação. É desta maneira que se consegue reduzir a mortalidade infantil e educar a família, mais especialmente a mulher, como agente de transformação social. Valores culturais, humanos e cristãos são promovidos no meio familiar e comunitário, tais como a solidariedade, a fraternidade e o respeito pelo outro.

    Outros resultados que merecem destaque são a redução da violência e da marginalidade e o retorno das famílias atendidas a valores éticos, aptos a preservar o que existe de melhor na vida em comunidade. Assim, pode-se afirmar com segurança que atualmente o problema da violência no ambiente familiar, que afeta a milhares de crianças por ano em todo Brasil, é muito reduzido nas famílias acompanhadas pela Pastoral da Criança. É uma maneira eficaz de prevenir, na família, o abandono das crianças, que vão às ruas em busca da sobrevivência e fugindo do ambiente familiar hostil. Se todas as comunidades carentes tivessem acesso a esse trabalho, não somente reduziriam drasticamente as doenças e as mortes, como também a violência e a marginalidade. Contudo, não se pode deixar de ressaltar que a justa distribuição de renda, a educação, a saúde, a segurança alimentar, o saneamento ambiental são condições fundamentais para que haja justiça e paz no país.

    Ações em outros países

    A Pastoral da Criança é um organismo nacional, não podendo realizar atividades em outros países. Por isso, sua ação se dá no sentido de transferência de tecnologia e de estímulo ao surgimento da Pastoral da Criança nesses países, a partir da experiência brasileira. Para isso, foram realizadas visitas a muitos países latino-americanos e africanos e executados diversos cursos no Brasil, destinados a lideranças de países da América Latina e da África. Eles ficaram, em média, 15 dias, conhecendo a experiência brasileira e fazendo estágio junto às comunidades organizadas. A partir dessa capacitação retornaram a seus países e iniciaram lá a Pastoral da Criança, de forma independente e adaptada à realidade local.

    Entre os países que já desenvolvem experiências semelhantes à Pastoral da Criança destacam-se, na África: Angola, Guiné-Bissau, Moçambique; na América Latina: Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Venezuela.

    Conclusão

    Com mais de 17 anos de experiência, a Pastoral da Criança demonstra que é possível reduzir a mortalidade infantil e a desnutrição, desenvolver o potencial da criança, educar a mulher, prevenir a marginalidade na família e, consequentemente, nas comunidades e nas ruas, promover a fraternidade cristã, através da formação de redes de solidariedade humana, organizadas nas comunidade pobres e continuamente aperfeiçoadas.

    Contudo, é necessário ter presente que a solução dos problemas que relegam à condição de indigentes mais de 10% da população brasileira, necessita ser buscada de duas maneiras: a primeira é uma mudança em nível de macro-estrutura do país, de forma a possibilitar uma justa distribuição de renda. Por outro lado, se faz necessária a solidariedade humana e a soma de esforços de todos os segmentos sociais, comprometendo a todos para uma nova ética social, da construção de uma cultura centrada no respeito e na valorização da vida, que leva a paz.

    Apoio

    Para realizar todo este serviço, a Pastoral da Criança recebe apoios nacionais e internacionais, tanto de entidades ligadas à igreja como de órgãos governamentais e não-governamentais. Entre as diversas entidades que dão suporte técnico e financeiro, para que a Pastoral da Criança possa viabilizar suas ações nas áreas da saúde, nutrição, educação e cidadania, está o Ministério da Saúde, que arca com pelo menos 70% dos custos financeiros totais da Pastoral da Criança, desde 1987. O maior financiador não-governamental da Pastoral da Criança é o Criança Esperança, um programa da Rede Globo de Televisão, em parceria com o Unicef, que repassa 27% dos recursos arrecadados aos trabalhos da Pastoral.

    A Pastoral da Criança também recebe apoio técnico e econômico da ANAPAC - Associação Nacional dos Amigos da Pastoral da Criança -, que reúne empresários e profissionais liberais e vem firmando parcerias com prefeituras e empresários locais.

    Parceiros na sociedade brasileira:

    Há dois tipos de parcerias que a Pastoral da Criança estabelece com essas organizações: técnica e técnico-financeira. Os principais parceiros são os que se enquadram na parceria técnico-financeira, destacando-se, além do Ministério da Saúde e do programa Criança Esperança, os Ministérios da Educação e da Previdência e Assistência Social, a Fundação Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

    Entre os parceiros que se enquadram na parceria técnica estão:

  • Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde – CONASS;
  • Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde - CONASEMS
  • Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia;
  • Pastorais Sociais, da Juventude e da Família da CNBB;
  • Secretarias de Saúde e da Criança e da Família do Estado do Paraná;
  • Sociedade Brasileira de Pediatria;
  • Associação de Pais e Amigos de Excepcionais – APAE/Paraná.

  • Parceiros em outros países

    Os parceiros internacionais colaboraram muito com a Pastoral da Criança, especialmente nos seus doze primeiros anos de existência, apoiando projetos específicos, como os de alfabetização de jovens e adultos, geração de renda, desenvolvimento infantil, entre outros. O UNICEF, por exemplo, foi quem manteve a Pastoral da Criança em seus três primeiros anos de existência. Hoje, além do UNICEF, todos eles continuam, de uma forma ou outra, parceiros da Pastoral.

  • Organização Misereor (Alemanha);
  • Organização Adveniat (Alemanha);
  • Irmãs Escolares Nossa Senhora de Munique (Alemanha);
  • Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social (Alemanha);
  • Missio Áustria (Áustria);
  • Fundação Bernard van Leer (Holanda).

  • Prêmios recebidos pela Pastoral da Criança

    1989 - Escolhida entre as seis melhores experiências internacionais em saúde e nutrição comunitárias, pela INPF - Internacional Nutrition Planners Forum, Fifth International Conference, tendo apresentado seus trabalhos em Seul, na Coréia.

    1991 - Prêmio do UNICEF, reconhecendo a Pastoral da Criança como melhor serviço de saúde e nutrição comunitária do Brasil.

    1992 - Prêmio dos Direitos Humanos da República Francesa "Liberté - Egalité - Fraternité", de prevenção da violência infantil.

    1993 - Menção Honrosa do UNICEF, quando da concessão do Prêmio Maurice Pate 1993 ao Governo do Ceará, em reconhecimento à expressiva redução da mortalidade infantil em todo o Estado. A menção foi pela participação da Pastoral nesta conquista governamental que ganhou notoriedade internacional.

    1993 - Prêmio Sociedade Brasileira de Pediatria "por relevantes serviços prestados à criança e ao adolescente brasileiros".

    1993 - Prêmio Direitos Humanos, concedido pela Câmara Municipal de Fortaleza/CE, pelos serviços prestados à população carente local.

    1997 - Prêmio Bem Eficiente, concedido pela Fundação Kanitz às entidades sem fins lucrativos que se destacam em suas atividades pela excelência em administração, transparência e pelo impacto social de sua atuação.

    1999/ 2000 - Prêmio "As Maiores Equipes de Voluntários", classificada pela Fundação Kanitz como 1ª colocada entre as maiores equipes de voluntários do Brasil.

    2000 - Prêmio UNESCO na categoria Direitos Humanos e Cultura de Paz, concedido a instituições e/ou pessoas que se destacaram por ações de elevada relevância social nas áreas de Educação, Cultura, Ciência e Meio Ambiente, Direitos Humanos e Cultura de Paz e Juventude e Cidadania. Este prêmio foi concedido especialmente em função da campanha de prevenção da violência familiar, realizada pela Pastoral da Criança junto a mais de um milhão de famílias em todo o Brasil, sob o título A Paz Começa em Casa.

    Outros prêmios

    A ação da Pastoral da Criança deu à sua fundadora e Coordenadora Nacional, Dra. Zilda Arns Neumann, diversos prêmios, destacando-se os seguintes:

    1988 - Menção especial pelo UNICEF – Brasil como personalidade brasileira de destaque no trabalho em prol da saúde da criança.

    1994 - Prêmio OPAS (Organização Pan-americana de Saúde) em Administração Sanitária, Washington, pelo relevante trabalho que desenvolveu em entidades governamentais e não-governamentais no Estado do Paraná, na Coordenação Materno-infantil do Ministério da Saúde e, principalmente, no desenvolvimento da Pastoral da Criança como Coordenadora Nacional.

    1994 - Comenda da Ordem Nacional do Mérito Educativo, no Grau de Cavaleiro – A Comenda foi outorgada pelo presidente da República, Itamar Franco, na qualidade de Grão-Mestre das Ordens Brasileiras.

    1997 - Prêmio Internacional "Humanitário", concedido pelo Lions Clube Internacional aos coordenadores de entidades sem fins lucrativos que se destacam pelo seu trabalho a favor da promoção humana.

  • - Recebeu do Presidente da República do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, a Menção Honrosa Direitos Humanos, pelo relevante trabalho realizado a favor dos direitos humanos.
  • - Prêmio Jean Harris, outorgado pelo Rotary Internacional, Curitiba.
  • - Medalha de Direitos Humanos, da Entidade Judaica B’nai B’rith, pela notória atuação na coordenação da Pastoral da Criança, como organismo que defende e luta pela qualidade integral de vida das pessoas.
  • - Homenageada pelo Conselho Nacional de Mulheres do Brasil, na categoria Mulher Medicina, na Academia Brasileira de Letras.

  • 2000 - Homenagem da Sociedade Brasileira de Pediatria, pela importante contribuição aos pediatras e às crianças brasileiras.

    2000 - Medalha "Simón Bolívar" da Câmara Internacional de Pesquisa e Integração Social, reconhecendo a liderança, dignidade, méritos profissionais e amor à humanidade, prestados à causa da Integração na América Latina.

    2000 – Menção Honrosa do Prêmio Franz de Castro Holzwarth da Ordem dos Advogados do Brasil, secção de São Paulo, em razão da corajosa semeadura do resgate da dignidade das crianças e adolescentes.

    2000 – Troféu Especial ‘Talento do Ano’, entregue pela Associação Comercial do Paraná.

    2000 - Prêmio PNBE – Pensamento Nacional das Bases Empresariais - de Cidadania, oferecido a pessoas ou entidades que se destacaram por seus relevantes atos de cidadania.

    2000 – Prêmio USP – Universidade de São Paulo – de Direitos Humanos, modalidade individual.

    Dra Zilda Arns Neumann, Coordenadora Nacional da Pastoral da Criança, tornou-se ainda Cidadã Honorária de diversos estados brasileiros, como Alagoas, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro, e de muitos municípios, entre os quais destacam-se Cambé e Curitiba no Paraná, Floriano no Piauí, Maceió em Alagoas, Morada Nova no Ceará, Santos e São José dos Campos em São Paulo.
     

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