Vida digna, com trabalho, justiça e solidariedade, é possível
"São coisas indispensáveis para a vida: água, pão, roupa e casa para preservar a própria intimidade" (Ecl 29,21)
As Pastorais Sociais da CNBB querem levar esperança a todos os trabalhadores e trabalhadoras, à luz da prática histórica de Jesus de Nazaré, que pregou a mensagem do Reino e quer vida abundante para todos e todas (cf. Jo 10,10). No meio dos conflitos de classes, as pastorais assumem a luta de libertação contra um sistema que tem levado a quebrar a centralidade do trabalho, penalizado os trabalhadores e trabalhadoras e excluído muitos do direito ao trabalho.
Este sistema proclama a globalização do capital, mas não admite a globalização do trabalho, pois se apoia numa concepção economicista do ser humano, considera o lucro e as leis de mercado como critérios absolutos acima da dignidade e do respeito da pessoa e do povo.
Celebrar o Primeiro de Maio é reavivar a memória da luta histórica dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo inteiro pelos direitos da vida, da dignidade da pessoa humana. Hoje, torna-se também um dia de protesto contra o desemprego, fruto da lógica que, ao desregulamentar o trabalho, o torna precário. Há no mundo 1,3 bilhão de pessoas desempregadas ou sem chance de emprego. No Brasil 56% dos ocupados não têm carteira assinada.
Os trabalhadores e trabalhadoras, ao celebrarem seu dia de luta, compreendam que a política econômica vigente no Brasil, aderindo a esta nova ordem como inevitável, de fato se subordina ao capital internacional, que por cima da soberania nacional, exige ajustes econômicos. Ajustes que arrocham salários – com um salário mínimo de R$ 180,00 (US$ 84); fraturam a organização dos sindicatos, bloqueiam a Reforma Agrária, impedem de se aplicar no social, deixam nossas crianças sem escola, todos sem saúde, os idosos numa aposentadoria aviltante.
São sinais de esperança, as novas possibilidades para a classe trabalhadora no mundo inteiro, as muitas experiências alternativas, a procura de novas formas de organização do trabalho que superem a relação salarial, na economia solidária, na constituição de cooperativas, de empresas de autogestão, movimentos contra o desemprego. Será isso possível? Este é o desafio à imaginação e criatividade da classe trabalhadora, do campo e da cidade: incorporar os excluídos do trabalho formal.
Mobilizações sociais - como as ações em favor da igualdade e diálogo entre os gêneros e entre as etnias; pelo respeito à natureza (preservação do ambiente, dos solos, de mananciais), pela produção de alimentos limpos; a que fluiu para o plebiscito sobre a dívida externa, aquela contra a integração da América Latina à ALCA - pleiteiam que cidadãos e cidadãs sejam sujeitos do processo, num debate que prepare as decisões nacionais.
Esperanças de vida digna, com trabalho, justiça e solidariedade!
Pastorais Sociais da CNBB
Brasília, 26 de abril de 2001