Fundação Getúlio Vargas divulga pesquisa Mapa do Fim da Fome

Temos 50 milhões de miseráveis (29.3% da população brasileira tem renda mensal inferior a 80 reais per capita). O custo agregado para erradicação da indigência brasileira corresponde a 1.69 bilhões mensais ou 3.81% da renda familiar. Ou seja, está perfeitamente dentro do orçamento social dos três níveis de governo 20.9% do PIB. O cálculo é do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas que lançou na segunda feira dia 9 de Julho de 2001 o Mapa do Fim da Fome. O estudo apresenta estes e outros cálculos para cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. Por exemplo, o morador de São Gonçalo no Rio ou de Moreno em Pernambuco, vai ser informado sobre a evolução da miséria em seu município em intervalos regulares na década de 90. O estudo apresenta ainda indicadores antecedentes da evolução da indigência até o início de 2001 para os principais municípios das regiões metropolitanas, aí incluindo capitais e periferias. Além de traçar uma perspectiva das tendências de longo prazo da miséria brasileira baseada em informações nos Censos de 70, 80 e 91.

O trabalho busca trazer ao cidadão comum os principais conceitos envolvidos na mensuração da miséria e será ilustrado com um conjunto amplo de mapas e tabelas abertos em nível de municípios, estados e de suas mesoregiões. O objetivo desta iniciativa é subsidiar a fixação de metas sociais a nível local, exatamente da mesma forma que o Banco Central o faz em relação as metas inflacionárias. O estudo apresenta o conceito de metas de pobreza, discutindo as principais vantagens da sua implementação.


 

                                    Brasil: 50 milhões de brasileiros vivem na miséria

                         Rio de Janeiro, 10 julho (Jornal do Brasil)
                         O Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas
                         (FGV) divulgou ontem o ‘Mapa do Fim da Fome no Brasil’, baseado em dados da
                         Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, PNAD, de 96 a 99. De acordo com o
                         chefe do Centro, Marcelo Neri, a pesquisa revela que existem hoje no país 50 milhões de
                         pessoas vivendo abaixo da linha de indigência (29,3% da população), recebendo uma
                         renda mensal inferior a R$ 80 per capita. O estudo da FGV aponta que para erradicar
                         este quadro de miséria, seria necessário a aplicação de R$ 1,69 bilhão por mês (2% do
                         PIB), o que significaria uma contribuição mensal de R$ 10,4 por brasileiro, tendo como
                         base a renda per capita do país, que é de R$ 262. \"A idéia desta pesquisa é mostrar
                         como custa pouco erradicar a pobreza ao fornecer dados exatos de quanto seria preciso
                         para tirar 50 milhões de brasileiros da indigência\"÷, explicou o economista.

                         MAPA DA FOME INDICA CUSTO REAL PARA ERRADICAR A MISÉRIA

                         Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), a
                         contribuição mensal de R$ 10,4 por brasileiro para erradicar a pobreza do país seria
                         variável segundo a renda per capita de cada estado. De acordo com o relatório ’Mapa
                         do Fim da Fome no Brasil’, elaborado pelo Centro de Pesquisas Sociais da Fundação
                         Getúlio Vargas, cada habitante do Piauí teria de contribuir com R$ 24, já que o estado
                         possui a menor renda do país (R$ 111). Em São Paulo, onde a renda é de R$ 380 por
                         pessoa, cada paulistano doaria R$ 4,15 para eliminar a pobreza. O chefe do Centro,
                         Marcelo Neri, salientou que o Mapa não propõe políticas de investimentos na área, mas
                         apresenta o custo real, em números, para erradicar a miséria no país. No entanto, o
                         economista acredita que a adoção de metas sociais envolvendo a participação do
                         governo e da sociedade seria uma alternativa para o problema. \"O mesmo esforço
                         aplicado pelo Banco Central para prever a redução das taxas inflacionárias com tanta
                         segurança e antecedência poderia também ser aplicado para reduzir esses alarmantes
                         indicadores sociais. Basta ter como prioridade o enfoque na política social\", defendeu
                         Neri.

                        NORDESTE TEM MAIOR ÍNDICE DE POBREZA DO BRASIL

                         No Brasil, 50 milhões de pessoas, o correspondente a 29% da população, estão abaixo
                         da linha de pobreza. Ou seja, têm uma renda mensal menor que R$ 80. Esse é um dos
                         resultados da pesquisa \"Mapa do Fim da Fome no Brasil\", divulgada, hoje pela
                         Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os Estados nordestinos foram os que apresentaram
                         maior índice de pobreza do País. Todos, à exceção do Rio Grande do Norte, têm mais
                         que 50% de sua população abaixo da linha de pobreza. O Maranhão é o Estado
                         brasileiro que apresenta a pior situação. Mais de 63% de sua população está abaixo
                         dessa linha. De acordo com a pesquisa, precisariam ser investidos R$ 143 milhões por
                         mês no Maranhão para se reverter esse quadro. Piauí é o segundo E stado com maior
                         índice de pobreza do País (61,7%), seguido do Ceará (55,7%), Alagoas (55,4%), Bahia
                         (54,8%), Tocantins (21,27%), Pernambuco (50,9%), Paraíba (50,2%), Sergipe
                         (50,14%) e Rio Grande do Norte (46,93). De acordo com o economista da FGV,
                         Marcelo Neri, para acabar com a miséria no País o Governo deveria investir R$ 1,69
                         bilhão por mês, o que significa 20,9% do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com
                         Neri, R$ 80 são insuficiente para comprar uma cesta de alimentos que supra as
                         necessidades calóricas básicas dos indivíduos. A Bahia é o Estado brasileiro onde se
                         precisaria investir mais recursos para reverter o quadro de miséria. Por mês, o custo para
                         erradicar a pobreza do povo baiano, de acordo com a pesquisa, é de R$ 277 milhões.
                         No Estado, a pior situação se apresenta no Extremo Oeste Baiano, onde 64,75 % da
                         população têm renda inferior a R$ 80. O Ceará é o segundo Estado brasileiro a precisar
                         de mais investimentos para erradicar a miséria. De acordo com o Mapa do FGV, é
                         preciso investir R$ 163 milhões no Estado. A situação mais crítica se encontra no
                         Noroeste cearense, onde 70,56% da população se encontra abaixo da linha de pobreza.
                         Marcelo Neri afirmou que os programas voltados para o público infantil, como os
                         programas de educação, merenda escolar e Bolsa Escola, são extremamente eficazes
                         para combater a miséria no Brasil. "Para acabar com a pobreza o Governo precisa
                         investir nas crianças", sugeriu.