Ciranda de Criança é um boletim informativo eletrônico (mensal) do PROJETO CRIANÇA: DESENVOLVIMENTO, EDUCAÇÃO E CIDADANIA  -   Ano II, Nº  7 - 14 de abril de 1999 - CRIANÇAS E CRIANÇAS
Infância
Um gosto de amora
EDITORIAL

Através deste trabalho com o PROJETO CRIANÇA e com o Boletim CIRANDA DE CRIANÇA tenho encontrado pessoas maravilhosas e, muitas delas, conheço somente através do espaço virtual! Nesse número de abril gostaria de fazer uma homenagem a esses colaboradores, publicando alguns textos desses amigos. Vários textos de colaboradores já estão nas páginas do site Projeto Criança e outros ainda serão colocados, aguardem. Neste mês é impossível deixar de falar do mais novo horror mundial... a recente guerra que já está deixando inúmeras crianças sem família, inúmeras famílias sem crianças... em nome da ganância e da estupidez.... Recebi o primeiro texto através do amigo virtual Luiz Alberto Machado, escritor/jornalista/advogado/poeta/editor/etc. de Manaus (E-mail nascente@sunnet.com.br; Home page http://www.nascente.art.br)/. O texto é de uma amiga sua, e fala com lucidez e humor sobre essa fantástica capacidade do brasileiro de brincar com as diferenças. Nós temos inúmeros problemas graves, mas somos conhecidos como o povo mais miscigenado do mundo o que, sem dúvida, traz uma grande vantagem para a compreensão e aceitação do diferente!

Abraços de outono,

Lidia
 

"Aparentar-se pelo coração é ser amigo. É preciso dons inatos de solidariedade, bondade, compreensão, a que se juntam também o momento especial de superposição e coincidência de interesses, opiniões, princípios, regras, desregras - momento que pode ser fugaz ou transformar-se em duração da vida inteira".
(Pedro Nava, Beira-mar)
 
UMA SOLUÇÃO PARA A IUGOSLÁVIA
 
Sonia Rodrigues 
chapeudesol@zipmail.com.br http://members.xoom.com/ChapeuDeSol 
 

Ah! Esses iugoslavos! Deveriam vir ao Brasil.
Um sérvio e um albanês começariam uma discussão e seriam imediatamente rodeados pela turma do deixa disso.
Nossos iugoslavos ficariam espantados em ver, juntos, um ariano, um semita, um nórdico, um árabe, um negro e um oriental. Mais espantados ainda ficariam ao ver o ariano bater amigavelmente no ombro do negro e contar uma piada, 'aquela do judeu e do general nazista no campo de concentração'. Entre muitas gargalhadas, o árabe retrucaria com 'aquela do cristão cujo avião caiu no deserto e encontrou um muçulmano'. E o nórdico, a rir, continuar com 'aquela do japonês que visitou a Bahia e entrou em um terreiro de candomblé' A esta altura, alguém sugeriria aos novos amigos iugoslavos um 'loira gelada' e um brinde à Paz. E já em clima de confraternização, vocês conhecem 'aquela do albanês e do sérvio que eram vizinhos e aí ...' Aí os nossos iugoslavos seriam forçados a rir-se da imbecilidade humana e concordariam em deixar pra lá as suas diferenças, já que, vivendo todos no mesmo planeta, somos, todos, companheiros de viagem.

 
 
MENINO DE RUA
 
Aldina MachryVeneza@dopovo.netAqueles que roubam os teus livros escolaresteus tênis novos, tuas roupas limpas e bonitasa tua comida gostosa, a tua cama fofinha...Aqueles que roubam o teu lar aconchegante,que roubam tudo de ti :são os mesmos que reclamam da tua rebeldiada tua sujeira, do teu olhar faminto e acusador.Não conseguem imaginar que são mais miseráveisdo que todos os meninos que rolam pelas ruas...Porque a tua sujeira, meu menino desapareceriacom um simples banho,mas a sujeira daqueles que querem tanto te aniquilaré muito mais profunda, ela está escondida dentro do coração.Esta sujeira espiritual impede que eles se sensibilizemcom a visão do teu corpinho frágilestendido sobre o cimento gelado.Meu menino de rua, durante o diaés o reflexo vivo de toda a podridão humanamas durante a noite na tua caminha de jornalbrilhas com a pureza de um anjoadormecido nos braços de Deus...

DEPENDE DE VOCÊS ...
Ronai Pires Rocha
ronai@pro.via-rs.com.br
Dep. Filosofia, UFSM -
http://www.ufsm.br/http://www.plug-in.com/br/geempa/port/index.htm

Era uma vez uma professora que estava saindo da escola, depois das aulas, quando viu um grupo de alunos lhe esperando, perto do portão. Um dos meninos mostrou a mão para a professora. A mão estava fechada, escondendo alguma coisa que ela não conseguia ver. O menino então perguntou:- Professora, queremos que o senhora adivinhe uma coisa.A professora respondeu:- Não sou muito boa em adivinhações, mas vou tentar.O aluno então explicou.- Nós caçamos uma borboleta aqui no pátio da escola. Ela está dentro da minha mão. Queremos que a senhora adivinhe se ela está viva ou está morta.O aluno fez um sorriso maroto. Todos tinham um sorriso estranho no rosto, e olhavam para a professora, esperando a resposta.A professora logo se deu por conta que os alunos tinham preparado uma pequena armadilha para ela. A borboleta certamente estava viva dentro da mão do menino, amassada e machucada, mas ainda estava viva. Se a professora dissesse que sim, que a borboleta ainda estava viva, o menino daria um apertão nela, antes de abrir a mão, e a mataria. E se a professora dissesse que a borboleta estava morta, o aluno abriria a mão para a borboleta voar. Dessa forma, qualquer que fosse a resposta da professora, os alunos ganhariam.
A professora olhou bem para os meninos, sorriu e disse:- Viva ou morta? Isso depende só de vocês!
 
 A sociedade que se quer criar
 

Adelaide Consoni
Adconsoni@net-all.com.brhttp://www.terravista.pt/BaiaGatas/2932
 
Encontramos no caderno da "Agenda 21 feita por crianças e jovens de todo o mundo" de 1994, estudos que nos mostram muito bem a preocupação da criança com o mundo que se quer criar, sem pedir a opinião importante daqueles que irão vivê-lo.Desta publicação, extraí o seguinte texto:"Ursinhos para os solitários""A chave do estilo de vida ocidental é clara: CONSUMIR! Consumir para ser popular, consumir para ter mais que o vizinho, consumir para esquecer os problemas, consumir para ser feliz. Lamentavelmente, nosso planeta não está preparado para suportar este tipo de comportamento. Nossa inocente saída às compras aos sábados é um dos principais motivos dos problemas de que estamos falando neste livro - aquecimento global, chuva ácida, lixo... Não adianta muito aliviarmos nossa consciência reciclando ou comprando uma caixa de sabão em pó biodegradável. Precisamos parar de adquirir todas as coisas de que não precisamos. Mas isso não é fácil para as crianças de hoje. Elas são atacadas de todas as direções por um exército de monstros de plástico, brinquedos fofos e jogos eletrônicos, vinte e quatro horas por dia, especialmente nos países desenvolvidos, em que as crianças freqüentemente passam a maior parte do seu tempo livre diante da televisão.(grifo nosso). Muitos pais não tem tempo para seus filhos, por isso tentam compensar dando-lhes tudo o que o dinheiro pode comprar. Entretanto, uma montanha de ursinhos de pelúcia não é consolo para uma criança solitária. Os adultos não passam de crianças grandes. Em seus momentos de fraqueza, eles compram ursinhos de pelúcia para si próprios, para secarem as próprias lágrimas. Carros por exemplo, um aparelho estéreo ou uma casa nova. Mais coisas! Serão eles tão fracos a ponto de não se incomodar que seus novos brinquedos estejam prejudicando o meio ambiente? Enquanto brincam estão destruindo nosso futuro."Quando se associa o ser feliz, o ter prazer, o viver, o ter poder ao ato de poder comprar, às conquistas financeiras, impregnamos o imaginário infantil de "falsas verdades", que irão determinar a formação de um comportamento egoísta e individual. A criança tenderá a querer aquilo que lhe trará mais dinheiro, que a fará mais poderosa, a escolha dos brinquedos se fará desta forma, a escolha do esporte também se fará desta forma, quererá como ídolo aquele que ganha mais dinheiro, seus pais também tenderão a querer lhes direcionar à profissões lucrativas.Em tempo, as conquistas de nossos ídolos dos esportes, do rádio e da televisão, o sucesso adquirido por um bem-sucedido homem de negócios, a criação ou desenvolvimento de um cientista qualquer, vem sempre precedidas das grandes somas em dinheiro que puderam conquistar com seus feitos.O fato de poder pagar para ter, de poder pagar para dar, nos deixa a sensação de que com isso preenchemos a condição de vazio, que as nossas relações com as crianças acabaram por se tornar.Esquecemos que as mais necessárias e melhores coisas da vida são gratuitas. Quando olhamos para trás, podemos observar que os melhores momentos de nossas vidas não foram proporcionados por coisas compradas."Deveríamos agir mais como seres humanos e não como haveres humanos..."(Fred Matser, Harmony Health Centre, Holanda, em agenda 21...)

E SE ELE TIVER UM "PROBLEMA" GENÉTICO?
 

João Carlos M. MagalhãesJcmm@bio.ufpr.br 
Dep. Genética, UFPR - http://www.bio.ufpr.br/  
"Tudo vale à penaSe a alma não é pequena".(Fernando Pessoa)

 As crianças, assim como os adultos, diferem umas das outras: meninas ou meninos, brancos, pretos ou mulatos, destros ou canhotos, tranqüilos ou agitados, diferem em inúmeros traços que compõem sua individualidade. Por que diferem? Ou porque herdaram geneticamente as características de seus ancestrais, ou por influências do meio ao longo de sua vida, ou, o que é mais freqüente, por alguma mescla de fatores ambientais e genéticos. Assim, uma tendência inata ou uma alimentação excessiva podem fazer com que uma criança seja "gordinha"; os dois fatores em conjunto podem torná-la obesa. Nem todos respondem do mesmo modo ao mesmo ambiente.

Tudo que faz parte da variação genética normal não deverá, por si só, interferir com a capacidade da criança se tornar um adulto saudável. As anomalias tipicamente genéticas diminuem a capacidade do indivíduo se adaptar a seu ambiente, independentemente de outros fatores. Embora exista um grande número de doenças genéticas diferentes, cada uma dessas doenças é, em geral, rara na população. Tudo isso torna seu estudo bastante complexo.

Nem tudo que está presente ao nascimento, é genético influências intra-uterinas podem determinar, por exemplo, deficiências físicas ou mentais. Por outro lado, nem tudo que é genético é congênito; algumas crianças nascem saudáveis e em um período posterior de sua vida manifestam uma anomalia genética. Às vezes uma característica genética, que não estava presente nos pais, surge de novo por mutação aleatória. Às vezes os pais são normais, mas possuem genes recessivos que podem causar anomalias nos filhos. Sabe-se que cada um de nós traz em seu genoma um certo número de genes potencialmente perigosos que fazem parte da chamada carga genética (não confundir com genótipo) da população. Esses genes podem combinar-se ao acaso com outros genes semelhantes, comprometendo o destino dos filhos.

Algumas anomalias genéticas podem ser testadas e tratadas antes de causarem danos. Por intermédio do famoso "teste do pezinho", pode-se diagnosticar algumas (poucas) doenças genéticas graves, para as quais existem tratamentos. Com o conhecimento do DNA humano propiciado pelo Projeto Genoma, estão sendo desenvolvidos muitos novos testes, e até alguns tratamentos experimentais. Mesmo assim, não se pode esperar testes baratos, e muito menos completos, em qualquer prazo razoável. Infelizmente, são milhares de doenças genéticas diferentes. Para a maioria delas não existe diagnóstico precoce. Nem tratamento.

O "aconselhamento genético" é útil em muitos casos, especialmente quando são conhecidas anomalias na família. Os casais são orientados a planejar sua família com base em riscos cientificamente calculados. Essa é uma prática ainda pouco comum em nosso país(1). Se fizesse parte dos programas de saúde pública, poder-se-ia evitar muitos casos de doenças graves. É preciso notar que, por razões éticas, a decisão de ter ou não o filho sempre cabe aos pais.

Às vezes, por motivos diversos, um casal deseja adotar uma criança mas tem receio de que essa criança possa ter algum "problema genético". Tudo o que se pode dizer é que não há nenhum exame que exclua totalmente os riscos. Não há garantias contra "defeitos de fabricação". Isso vale tanto para filhos adotados como naturais.

Ter filhos implica em assumir riscos e responsabilidades. As pessoas, entretanto, continuam formando famílias, tendo filhos, como têm feito há milhares de anos. Devem ter um bom motivo.

Ter um filho é um ato de amor. É nosso vínculo com o futuro. Com eles percebemos o fluxo do tempo, com eles aprendemos o novo, fazemos parte da corrente da vida. Mas não se pode garantir nada. A não ser que vale a pena. Na condição apontada nos versos que encabeçam esse texto.

1. O Departamento de Genética da Universidade Federal do Paraná mantém um serviço gratuito de aconselhamento genético. As consultas podem ser agendadas com a Dra. Nina A. B. Pagnan, pelo telefone (041) 366 3144, R 257.

 

Encontro forçado
Cláudio Adriano E. Soares
Caes@gold.com.br
Faltava uma hora
Já havia me trocado
Me barbeado
Me penteado
Estava pronto
Fui para o ponto
O ônibus estava demorando
Fui andando
Tanto suei
Mas finalmente cheguei
Estava tudo decorado
E eu estava no horário
Ela tinha que passar
E eu hei de falar
Faltava um minuto
E tinha esquecido tudo
Escorreguei na grama
E cai na lama
Trinta segundos
Eu estava todo sujo
Quatro
Três
Dois
Um
Ela apareceu
Contornou o muro
Fiquei mudo
Ela disse oi
Sorriu
E se foi

 

CONGRESSOS

CONGRESSO INTERNACIONAL: FAMÍLIA E VIOLÊNCIA - 19 a 23 abril de 1999 - Florianópolis - SC

Informações: GAPEFAM (048) 223-2954

e-mail: favi@mbox1.ufsc.br

Home Page: http://www.repensul.ufsc.br/gapefam

IV ENCONTRO NACIONAL DE ASSOCIAÇÕES E GRUPOS DE APOIO À ADOÇÃO

19 a 22 de maio de 1999 - Nata - RN

Informações PROJETO ACALANTO NATAL

e-mail: acalanto@samnet.com.br

Home Page: samnet.com.br/solidariedade/acalanto


Ciranda de Crianças é um boletim informativo mensal do
PROJETO CRIANÇA: desenvolvimento, educação e cidadania.

O Projeto Criança é um projeto de extensão do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, coordenado pela Prof Lidia Natalia Dobrianskyj Weber e tem como objetivo principal disponibilizar o conhecimento psicológico a respeito de crianças para a comunidade visando a educação e a prevenção de abusos. Tem como atividades: publicações ao público leigo, palestras, cursos, ações interdisciplinares junto à população, com enfoques principais em desenvolvimento infantil (a descoberta da infância; diferenças culturais; estimulação); a educação infantil (ênfase na prevenção da punição física e violência doméstica) e a cidadania (direitos da criança, especialmente o direito à viver em família e em comunidade).

Correspondência: Universidade Federal do Paraná - Departamento de Psicologia - Projeto Criança - Prof Lidia N. D. Weber - Praça Santos Andrade, 50/1 andar - Cep 80020-300 Curitiba - PR - Tel: (041)310-2644; Fax: 310-2641. E-mail: lidiaw@uol.com.br Homepage: http://sites.uol.com.br/lidiaw/

Projeto Criança na Internet:
http://www.brasil.terravista.pt/Ipanema/2172