Voluntários fazem a diferença no trabalho social

O governo gastou cerca de R$ 3,8 bilhões em 1995 e R$ 4,6 bilhões em 1996 no financiamento de atividades de atendi-mento à criança e ao adolescente. Quanto ao setor privado, o financia-mento é feito de forma muito diversifi-cada. Existe um setor de voluntariado importante. Muitas entidades sobrevivem pelo voluntariado de seus associados, amigos e colaboradores. Em outras si-tuações, empregados destas entidades sendo também militantes, aceitam salá-rios abaixo dos preços de mercado ou ainda doam à entidade, sistematica-mente, parte do salário recebido. Caso fosse calculado o valor do trabalho destes voluntários se obteriam valores altamente significativos. Toman-do-se como exemplo o trabalho da Pastoral da Criança, com seus mais de 82.000 líderes comunitários, e contabili-zando-se (por baixo) 13 salários míni-mos/ano para cada um deles, obtém-se uma importância anual de mais de 127 milhões de reais. Estes números são 12 vezes maiores que os recursos financeiros transferidos pelo governo à Pastoral da Criança. Ou seja, para cada 1 real colocado pelo governo, a sociedade coloca 12 reais. Outra parte do financiamento vem do recebimento de doações em espé-cie e/ou em dinheiro. Não se conhece ao certo estes valores. Doações em es-pécie chegam a atingir 20% do orça-mento de algumas creches do Distrito Federal. Quanto às doações em dinheiro às entidades filantrópicas (e/ou de assistência social), estimativa rea-lizada pela FGEB, a partir de dados de pessoas físicas e empresas fornecidos pela Receita Federal, in-dica que tais doações podem atingir um valor maior que 800 milhões de reais/ano, sem contar com doações às várias Igrejas e confissões religiosas. Em todos os casos, as deman-das são muito maiores que os recur-sos disponíveis, o que leva as entida-des a estarem permanentemente dedi-cando-se à busca de recursos adicio-nais. Como os governos estão sempre cortando gastos (e sempre nas áreas sociais), será cada vez mais importante conseguir financiamento privado (de pessoas e empresas). Este esforço de arrecadação de fundos quase sempre compete com o trabalho de atendimen-to direto e nem sempre proporciona resultados satisfatórios. Parte destas dificuldades vem do fato de que a maioria das pessoas e das empresas não são ricas. Ou seja, os recursos que elas dispõem nem sem-pre são suficientes para cobrir os pró-prios gastos familiares (ou da empresa) e, como diz o ditado, "a caridade come-ça em casa"; este grupo majoritário só pode doar pouco dinheiro, quando pode. Um segundo elemento é que toda doação tem, para o doador, um custo maior que o valor doado: mesmo sendo rico, ele se privará, em algum modo, de algum outro benefício. Este fato é im-portante, pois as pessoas (ou as empre-sas) só vão dar algo na medida em que acreditem que o valor doado lhe dará uma satisfação maior que aquela que seria obtida caso não doasse e gastas-se este dinheiro com outra coisa. Por que, então, as pessoas doam? A resposta é complexa, mas os estu-diosos indicam várias razões, entre elas: valores éticos, morais, religiosos e até por moda. Mas a primeira razão é mais trivial: as pessoas doam porque alguém lhes pede. Pode parecer brincadeira escrever isto, mas profissionais de arrecadação de fundos nos Estados Unidos são unânimes em dizer que "se você não pedir, nunca conseguirá uma doação". Observam também que em alguns países - como o Brasil - as pessoas tem medo e vergonha de pedir mesmo quando a causa é justa. De fato, na cultura brasileira, entendemos que "as outras pessoas, vendo o lindo trabalho que fazemos, deveriam oferecer ajuda", sem que tenhamos que pedir. O problema é que, na realidade, na maioria dos casos as pessoas desco-nhecem o trabalho, outras conhecem mas não acreditam ou não confiam nele (ou nas pessoas que o realizam) etc. A este respeito, basta pensar como nós reagimos quando alguém nos pede algo. Por fim, mesmo conhecendo o trabalho, nem sempre as pessoas sa-bem como ou onde podem doar (tempo pessoal como voluntário, dinheiro, ou outro recurso). Se sua entidade quer arrecadar fundos de pessoas (e/ou empresas) ORGANIZE-SE!

Faça um plano de trabalho para o seu município. Faça uma lista de doadores potenciais. Visite-os. É trabalhoso, mas ninguém é tão pobre que nada possa doar; ninguém é tão rico que nada possa receber.